Um centro de distribuição pode armazenar praticamente o mesmo volume de mercadorias durante dois períodos diferentes e, ainda assim, tornar-se muito mais complexo de operar.
O motivo está na composição do estoque.
Quando o portfólio cresce, não aumentam apenas as quantidades. Entram novas dimensões, pesos, embalagens, categorias, giros e necessidades de acesso.
Cada novo produto precisa ocupar algum lugar.
E esse lugar precisa fazer sentido para a forma como a operação recebe, armazena, acessa, separa e movimenta o item.
Um movimento recente da Comercial Maia, em Maracanaú, no Ceará, ajuda a colocar essa discussão em perspectiva.
A empresa ampliou seu centro de distribuição com investimento de aproximadamente R$ 8 milhões. A área destinada ao estoque passou de 12 mil m² para 17,5 mil m², enquanto o número de docas aumentou de 24 para 30. Segundo a companhia, a expansão também dá suporte à evolução de um portfólio que incorpora, em média, cerca de mil novos itens por ano.
O caso evidencia uma questão que vai além do crescimento físico do estoque.
Quando o número de SKUs aumenta continuamente, a infraestrutura continua adequada ao novo perfil da operação?
Essa é uma pergunta diferente de simplesmente saber se ainda existe espaço disponível.
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ToggleMil novos itens por ano mudam mais do que o tamanho do estoque
A ampliação da Comercial Maia mostra uma associação importante entre infraestrutura logística e evolução do portfólio.
Quando cerca de mil novos itens entram no mix a cada ano, o efeito não precisa ser apenas um aumento proporcional no volume total armazenado.
Pode existir aumento de complexidade mesmo quando o crescimento físico do estoque é relativamente controlado.
Isso acontece porque cada SKU acrescenta uma nova combinação de variáveis.
- Um item pode ocupar um pallet completo.
- Outro pode dividir posição.
- Um pode ter alto giro.
- Outro permanecer semanas sem movimentação.
- Um pode ser pesado.
- Outro volumoso, porém leve.
- Um pode chegar em caixas padronizadas.
- Outro em embalagens com dimensões muito diferentes.
- Um pode precisar de acesso frequente.
- Outro pode admitir armazenagem de maior densidade.
É por isso que a gestão de SKUs, vista pela perspectiva da infraestrutura, não é apenas uma questão de contar quantos produtos existem.
É compreender o que esses produtos exigem fisicamente da operação.
Volume e variedade são problemas diferentes
Imagine duas operações que armazenam exatamente o mesmo volume cúbico.
A primeira trabalha com 100 SKUs, cada um em grandes quantidades.
A segunda trabalha com 5 mil SKUs, muitos deles em pequenos lotes.
Apesar do volume semelhante, os desafios podem ser completamente diferentes.
Na primeira operação, a prioridade pode estar na densidade de armazenagem.
Na segunda, a seletividade tende a ganhar mais importância.
Mais SKUs significam mais endereços.
Mais endereços significam mais pontos que precisam ser acessados.
Mais pontos de acesso podem alterar corredores, picking, reposição e movimentação.
Por isso, capacidade de armazenagem não é apenas quanto cabe dentro do galpão.
É também quantas combinações diferentes de produtos a operação consegue armazenar e acessar adequadamente.
O varejo atual ajuda a aumentar essa pressão.
Em setembro, a SuperVarejo destacou que a disputa por espaço na gôndola ficou mais intensa diante de novos sabores, embalagens, versões premium e produtos voltados a nichos específicos. No primeiro semestre de 2026, 17 dos 24 setores acompanhados pelo Índice GS1 Brasil de Diversificação de Portfólio apresentaram crescimento na renovação de produtos.
A disputa ocorre na loja.
Mas a complexidade começa antes dela.
Todo SKU que entra na gôndola precisa existir em algum ponto da cadeia logística.
Cada SKU cria uma necessidade de endereço
Dentro do CD, um novo SKU precisa responder a perguntas práticas.
- Onde ficará armazenado?
- Quantas unidades normalmente estarão disponíveis?
- Qual é sua dimensão?
- Qual é o peso?
- Qual a frequência de acesso?
- Qual equipamento realizará a movimentação?
- Pode dividir espaço com outros produtos?
- Precisa de uma posição dedicada?
- Está próximo ou distante das áreas de picking?
- Qual sua frequência de reposição?
Não existe uma resposta padrão.
Esse é um dos motivos pelos quais o crescimento do mix pode aumentar a necessidade de endereçamento mesmo sem provocar um crescimento equivalente em toneladas ou pallets.
Um estoque pode ocupar um volume semelhante, mas exigir mais divisões físicas.
A analogia mais simples seria comparar uma caixa cheia de objetos iguais com outra contendo centenas de objetos diferentes.
O espaço ocupado pode ser parecido.
A organização necessária não é.
O próprio varejo está pressionando o sortimento
A ampliação da variedade não acontece isoladamente dentro da logística.
Ela responde também a movimentos comerciais.
No varejo alimentar, novos produtos disputam continuamente espaço com itens existentes. A SuperVarejo observa que vendas, margem, giro, ruptura, shelf life, frequência de compra e desempenho das inovações estão entre as variáveis utilizadas para decidir quais SKUs ganham ou perdem espaço.
Outro conteúdo recente do veículo mostra a outra ponta desse processo: retirar um SKU também não deveria depender apenas de vendas absolutas. Rentabilidade, comportamento regional, função do item na categoria e produtividade do espaço entram nessa decisão.
Ou seja, o portfólio está em movimento constante.
- Produtos entram.
- Outros saem.
- Alguns ganham relevância.
- Outros perdem giro.
E essa dinâmica comercial modifica continuamente aquilo que o CD precisa armazenar.
É por isso que a infraestrutura de armazenagem não deveria ser revisada apenas quando o galpão “enche”.
Mudanças importantes na composição do mix também podem justificar uma nova análise.
O mix também está ficando mais regional
Existe outra camada de complexidade: nem todas as lojas precisam carregar exatamente o mesmo sortimento.
Conteúdo recente da SuperVarejo mostra como diferenças de renda, hábitos, marcas preferidas, sazonalidade e missão de compra podem alterar a composição ideal do mix conforme região, cidade ou até microrregião.
Em uma análise de 176 categorias distribuídas por sete regiões, a liderança de mercado foi idêntica em todo o país em apenas 37% dos casos.
Do ponto de vista comercial, isso reforça a importância da regionalização.
Do ponto de vista logístico, acrescenta outra variável.
Um CD que atende diversas regiões pode não estar administrando apenas uma lista de produtos.
Pode estar administrando diferentes combinações de mix para diferentes destinos.
Isso interfere na quantidade armazenada por SKU.
- No endereçamento.
- Na separação.
- Na consolidação dos pedidos.
- Na frequência de reposição.
- E potencialmente na configuração das áreas.
Regionalização de sortimento pode tornar a operação mais aderente ao mercado, mas também aumenta a necessidade de entender a composição do estoque com maior granularidade.
Quando todos os pallets deixam de ser iguais
Falar em “número de pallets” pode transmitir a impressão de que todas as posições armazenadas possuem características semelhantes.
Na prática, não é assim.
- Produtos diferentes podem gerar cargas diferentes.
- Peso.
- Altura.
- Dimensão.
- Estabilidade.
- Tipo de embalagem.
- Quantidade por pallet.
- Necessidade de acesso.
- Giro.
- Tudo isso influencia a estrutura.
A atuação da De Marchi dá uma dimensão interessante dessa diversidade.
Segundo a SuperVarejo, a empresa trabalha atualmente com aproximadamente 400 a 500 SKUs de produtos in natura, além de cerca de 800 SKUs de congelados.
Mesmo dentro de uma única empresa, categorias diferentes podem possuir exigências de acondicionamento e movimentação distintas.
É justamente por isso que dimensionar estruturas com base apenas em uma carga “média” pode esconder extremos importantes.
Se a operação possui produtos muito leves e outros muito pesados, a média não representa nenhum deles.
Se algumas cargas são baixas e outras muito altas, a altura média também pode ser pouco útil.
O projeto precisa observar a distribuição real das cargas.
Giro muda a geografia do armazém
Dois produtos podem ocupar exatamente o mesmo espaço e, ainda assim, exigir posições diferentes dentro do CD.
Um SKU movimentado dezenas de vezes ao dia não deveria necessariamente ser tratado da mesma maneira que outro acessado poucas vezes por mês.
- Giro influencia distância.
- Acesso.
- Reposição.
- Picking.
- Movimentação.
Produtos de alta frequência tendem a demandar posições que reduzam deslocamentos e facilitem acesso.
Itens de menor giro podem admitir outra lógica.
Isso não significa que exista uma posição universalmente correta para produtos A, B ou C.
A configuração depende de volume, estrutura, equipamentos, fluxo e tipo de operação.
Mas existe um princípio importante:
o layout do armazém precisa refletir a forma como o estoque realmente se movimenta.
Se o mix muda, o mapa de giro também pode mudar.
E um layout que era adequado há três anos pode deixar de representar a realidade atual.
O perigo de dimensionar tudo pelo “SKU médio”
Médias são úteis para apresentar um resumo.
Mas podem ser perigosas em projeto.
Imagine um CD cujo SKU médio pesa 300 kg por pallet.
Esse número, isoladamente, diz pouco se parte relevante das posições trabalha com 100 kg e outra parte com 800 kg.
- O mesmo vale para dimensões.
- Giro.
- Quantidade armazenada.
- Altura da carga.
Uma estrutura dimensionada apenas com base em médias pode ignorar justamente os produtos que mais tensionam a operação.
Por isso, uma análise de infraestrutura precisa observar famílias de SKUs e perfis de carga.
- Quais itens possuem características semelhantes?
- Quais exigem acesso direto?
- Quais ocupam grande volume?
- Quais giram mais?
- Quais exigem maior resistência estrutural?
- Quais podem utilizar configurações mais densas?
Essa segmentação transforma uma lista comercial de produtos em informação útil para a engenharia.
Marcas próprias e novas categorias aumentam a dinâmica do mix
Outro movimento que amplia a diversidade de portfólio é o avanço das marcas próprias.
A SuperVarejo destacou em setembro que elas vêm expandindo sua presença por diferentes categorias, incluindo alimentos, bebidas, pet e até segmentos ligados a farmácia.
Isso não significa necessariamente que marcas próprias sempre aumentem o número total de SKUs.
Algumas podem substituir itens já existentes.
Mas o movimento mostra como estratégias comerciais criam novas combinações de produtos, fornecedores, embalagens e categorias que precisam ser absorvidas pela cadeia logística.
Sazonalidade também exerce pressão.
A edição de setembro da SuperVarejo destacou categorias de bebidas e summer care que ganham intensidade em períodos como Natal, Ano Novo, verão e Carnaval, alterando giro, exposição e pressão sobre o sortimento.
Portanto, a composição do estoque não muda apenas ao longo dos anos.
Pode mudar dentro do próprio calendário operacional.
Crescimento de portfólio deveria entrar no planejamento de capacidade
Quando Comercial, Compras ou Category Management planejam ampliar o mix, a logística normalmente recebe o efeito dessa decisão depois.
Mas quanto maior a escala da mudança, mais importante se torna antecipar suas consequências.
Não para impedir novos produtos.
Nem para transformar a logística em responsável pela decisão comercial.
O objetivo é permitir planejamento.
Se uma empresa pretende adicionar centenas de SKUs, algumas perguntas podem ser feitas antes:
- Quais categorias crescerão?
- Qual o perfil físico das novas cargas?
- Qual o volume previsto por item?
- Qual giro esperado?
- Quantos endereços adicionais poderão ser necessários?
- Quais áreas do CD serão mais pressionadas?
- A configuração atual possui flexibilidade?
- Existem estruturas adequadas aos novos perfis de carga?
- Como o mix deverá evoluir nos próximos anos?
Isso permite incorporar portfólio ao planejamento de capacidade de armazenagem.
Porque um CD não precisa suportar apenas “mais estoque”.
Precisa suportar o estoque que a estratégia comercial pretende criar.
Da lista de SKUs à configuração da armazenagem
Para a engenharia de armazenagem, uma lista de produtos só se torna útil quando é traduzida em requisitos físicos.
Uma sequência possível é:
SKUs → cargas → posições → acesso → layout → configuração estrutural.
É nesse ponto que entra a contribuição da Altamira.
A empresa desenvolve sistemas e estruturas de armazenagem a partir das características da operação, considerando fatores como carga, dimensão, necessidade de acesso, movimentação, giro e espaço disponível.
O objetivo não deve ser simplesmente aumentar o número de posições.
Também não deve adotar a mesma solução para todos os itens.
Uma operação pode exigir diferentes configurações dentro do mesmo CD.
Porta-paletes em determinadas áreas.
Outras soluções em zonas com outro perfil de movimentação.
- Diferentes níveis.
- Diferentes alturas.
- Diferentes cargas admissíveis.
- A configuração precisa refletir a composição real do estoque.
Mais SKUs não significam automaticamente mais galpão
O crescimento da Comercial Maia mostra como infraestrutura e portfólio podem evoluir juntos.
A empresa aumentou a área destinada ao estoque de 12 mil para 17,5 mil m², ampliou docas e destacou a entrada média de cerca de mil novos itens por ano como parte do contexto de crescimento.
Mas o principal aprendizado não é que adicionar SKUs exige necessariamente aumentar área.
Essa seria uma conclusão simplista.
A questão correta é entender como a nova composição do estoque altera a necessidade de armazenagem.
- Mais SKUs podem exigir mais posições.
- Ou maior seletividade.
- Ou outras dimensões de estruturas.
- Ou revisão de layout.
- Ou mudanças na distribuição das áreas de picking.
- Ou, em determinados casos, mais espaço físico.
- O diagnóstico vem antes da solução.
Dois estoques podem ocupar o mesmo volume e exigir estruturas completamente diferentes.
E é justamente por isso que a capacidade de um CD não deveria ser medida apenas em metros quadrados ou número total de pallets.
Ela também precisa considerar a variedade e a complexidade daquilo que precisa ser armazenado.
O que é SKU na logística?
SKU é uma unidade utilizada para identificar um item específico do estoque. Produtos que variam em marca, tamanho, embalagem, sabor, modelo ou outra característica podem possuir SKUs diferentes. Na logística, cada SKU precisa ser considerado em relação a quantidade, localização, carga, giro e necessidade de acesso.
Como o aumento de SKUs afeta um centro de distribuição?
O aumento pode exigir mais endereços, maior seletividade, novas configurações de posições e mudanças no layout ou no picking. O impacto depende das características dos novos produtos e não apenas do número total de SKUs.
Mais SKUs significam necessidade de mais espaço?
Não necessariamente. A quantidade de SKUs é apenas uma variável. A necessidade de espaço depende de volume por item, dimensões, giro, perfil de carga, sistema de armazenagem, seletividade e configuração atual do CD.
Como o mix de produtos influencia as estruturas de armazenagem?
Diferentes produtos podem possuir pesos, alturas, volumes, embalagens e frequências de movimentação distintas. Essas características interferem no dimensionamento das posições, estruturas, níveis, corredores e necessidades de acesso.
Qual a relação entre giro de estoque e layout do CD?
O giro influencia a frequência com que cada posição precisa ser acessada. Produtos de maior movimentação podem demandar localização e configuração que facilitem acesso e reposição, enquanto itens de menor giro podem admitir outra lógica de armazenagem.
Como avaliar se a estrutura atual comporta um novo mix de produtos?
É necessário comparar as características atuais e futuras dos SKUs com posições disponíveis, cargas admissíveis, dimensões das estruturas, seletividade, equipamentos, fluxo e capacidade operacional do CD. A análise deve considerar também o crescimento projetado do portfólio.
Referências
SV TÁ ON: Marcas próprias ganham força nas estratégias do varejo | SuperVarejo
A nova guerra pela gôndola: quem ganha espaço no supermercado? | SuperVarejo










