A corrida por novos CDs revela o desafio de escalar a armazenagem

A inauguração do primeiro centro de distribuição da Amazon no Paraná mostra como a infraestrutura logística continua avançando para atender à demanda por entregas mais rápidas. Localizada em São José dos Pinhais, a unidade tem 24 mil m², capacidade inicial para processar até 700 mil pacotes por semana e operação contínua, 24 horas por dia, sete dias por semana. 

O empreendimento reforça uma tendência que já impacta marketplaces, varejistas, operadores logísticos e indústrias: a necessidade de posicionar estoques mais perto dos consumidores e aumentar a capacidade de processamento.

Mas construir um galpão não significa, automaticamente, criar um centro de distribuição eficiente.

Quando o CD nasce sem uma engenharia de armazenagem compatível com o volume, o mix de produtos e os equipamentos da operação, os gargalos aparecem rapidamente. Corredores inadequados, pé-direito subaproveitado, baixa densidade, excesso de deslocamentos e retrabalho de layout podem comprometer a produtividade poucos meses depois da inauguração.

A expansão dos CDs exige mais do que novos galpões

A Amazon informou que sua nova unidade no Paraná permitirá entregas no mesmo dia no estado e reduzirá os prazos para Santa Catarina. A operação será conduzida em parceria com a ID Logistics Brasil e poderá empregar até 900 trabalhadores. 

O caso mostra que um centro de distribuição é parte de uma estratégia maior. A estrutura física precisa estar conectada a transporte, tecnologia, sistemas de gestão, disponibilidade de estoque e capacidade de processamento.

Esse movimento também aparece entre operadores logísticos especializados em e-commerce. Em agosto de 2026, a Cubbo inaugurou seu quinto centro de distribuição no Brasil, em Extrema, Minas Gerais. A unidade amplia a operação de fulfillment da empresa e reforça sua presença em uma região estratégica para a logística nacional. 

A InfraFM destacou que a Cubbo adotou uma lógica de reaproveitamento de infraestrutura existente para implantar o novo CD. O caso é relevante porque mostra que expansão logística não depende exclusivamente de construir uma instalação do zero. Também pode envolver a adaptação técnica de galpões já disponíveis. 

Em ambas as situações, o desafio é transformar área construída em capacidade operacional real.

Um CD de e-commerce não pode ser projetado por catálogo

Centros de distribuição voltados ao comércio eletrônico costumam lidar com grande variedade de SKUs, diferentes dimensões de embalagem, alto volume de pedidos fracionados, múltiplos canais de venda e picos sazonais.

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Por isso, a escolha das estruturas não pode ser feita apenas com base em modelos padronizados de catálogo.

O projeto deve considerar:

  • peso por posição;
  • dimensões das cargas;
  • tipo de pallet;
  • altura útil do galpão;
  • frequência de movimentação;
  • perfil do picking;
  • giro dos produtos;
  • largura dos corredores;
  • equipamentos utilizados;
  • necessidade de expansão;
  • áreas de recebimento e expedição;
  • níveis de automação;
  • requisitos de segurança.

Um porta-paletes adequado para uma operação de cargas fechadas pode não ser a melhor solução para um CD de e-commerce, no qual a separação ocorre por unidade ou por pequenos conjuntos de produtos.

Da mesma forma, um layout desenvolvido para o volume atual pode se tornar insuficiente quando a empresa aumenta o número de pedidos, incorpora novos sellers ou amplia a área de atendimento.

A estrutura precisa ser dimensionada a partir do fluxo operacional e não apenas da metragem disponível.

O pé-direito é uma oportunidade de capacidade

Um dos erros mais comuns em novos centros de distribuição é construir galpões com grande altura útil e utilizar apenas parte do volume disponível.

O aproveitamento vertical pode aumentar significativamente a densidade de armazenagem, mas exige compatibilização entre estrutura, carga, equipamentos e segurança.

Antes de definir os níveis de armazenagem, é necessário avaliar:

  • altura livre real;
  • posição de pilares e vigas;
  • interferências de iluminação;
  • sprinklers e sistemas de combate a incêndio;
  • capacidade do piso;
  • altura das cargas;
  • alcance dos equipamentos;
  • proteção contra impactos;
  • distância entre níveis;
  • rotas de circulação e emergência.

A altura, por si só, não gera produtividade. Se o equipamento não consegue acessar os níveis superiores com segurança ou se a movimentação se torna lenta, o ganho de densidade pode ser anulado pelo aumento do tempo operacional.

O objetivo deve ser equilibrar densidade, acessibilidade, segurança e velocidade.

Corredores devem ser definidos pelo equipamento

Outro erro recorrente é definir o layout e só depois escolher as empilhadeiras e os demais equipamentos de movimentação.

Essa inversão pode resultar em corredores largos demais, reduzindo a capacidade de armazenagem, ou estreitos demais, dificultando a operação e aumentando o risco de colisões.

O projeto deve avaliar previamente a utilização de:

  • empilhadeiras contrabalançadas;
  • reach trucks;
  • equipamentos trilaterais;
  • paleteiras elétricas;
  • transelevadores;
  • robôs móveis;
  • esteiras;
  • sorters;
  • sistemas automatizados de picking.

Cada equipamento possui exigências próprias de raio de giro, alcance, altura de elevação e área de segurança.

Quando a estrutura é instalada sem essa compatibilização, o CD pode perder produtividade antes mesmo de atingir o volume planejado.

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Mezaninos ajudam a organizar o picking fracionado

No e-commerce, muitos pedidos são compostos por unidades individuais ou pequenos conjuntos de produtos. Esse modelo exige uma operação de picking diferente daquela utilizada para cargas fechadas.

Mezaninos podem criar áreas adicionais para:

  • separação manual;
  • armazenagem de pequenos volumes;
  • picking de itens leves;
  • embalagem;
  • consolidação de pedidos;
  • estoque de apoio;
  • processamento de devoluções;
  • atividades de valor agregado.

A implantação, porém, precisa considerar capacidade estrutural, circulação de pessoas, ergonomia, iluminação, ventilação, segurança e integração com o restante do armazém.

Um mezanino mal posicionado pode aumentar os deslocamentos e o tempo de separação. Um projeto bem dimensionado pode liberar área no piso, organizar o picking e melhorar o aproveitamento do volume construído.

O centro de distribuição precisa nascer preparado para crescer

O CD não deve ser planejado apenas para atender ao volume do primeiro ano. A engenharia precisa considerar cenários de crescimento e identificar quais componentes poderão ser ampliados ou adaptados.

A operação pode crescer em razão de:

  • aumento de pedidos;
  • expansão geográfica;
  • entrada de novos vendedores;
  • ampliação do mix;
  • incorporação de novas categorias;
  • maior participação do fulfillment;
  • redução dos prazos de entrega;
  • sazonalidade;
  • integração com marketplaces;
  • crescimento das devoluções.

Antes de aprovar o layout, a empresa deveria responder:

  • quantas posições serão necessárias em três ou cinco anos?
  • a estrutura permite a instalação de novos níveis?
  • o piso suporta cargas futuras?
  • existe espaço para automação?
  • os corredores podem operar com equipamentos diferentes?
  • a doca suporta o volume projetado?
  • há área suficiente para embalagem e triagem?
  • o layout comporta picos de demanda?
  • as devoluções foram incluídas no projeto?
  • o sistema de gestão acompanhará a expansão?

Projetar para o crescimento não significa instalar toda a capacidade futura imediatamente. Significa criar uma infraestrutura capaz de evoluir sem exigir uma reconstrução completa.

A armazenagem deve ser compatibilizada com a obra civil

A engenharia de armazenagem precisa participar do projeto antes da conclusão da obra porque interfere em diversos elementos do empreendimento:

  • resistência do piso;
  • posição de pilares;
  • altura útil;
  • docas;
  • portas;
  • circulação;
  • iluminação;
  • sprinklers;
  • sistemas elétricos;
  • rotas de fuga;
  • áreas técnicas;
  • escritórios e zonas de apoio.

O IMAM recomenda que o projeto de um centro de distribuição seja estruturado em etapas, considerando os requisitos da instalação, o planejamento do crescimento e a implementação da operação. A publicação original é de 2020, mas a página foi atualizada em 5 de setembro de 2026. 

Essa abordagem evita que as estruturas sejam escolhidas apenas quando o galpão já está pronto. Com a participação antecipada da engenharia, é possível compatibilizar armazenagem, equipamentos, segurança e fluxo operacional.

O custo de corrigir um layout depois da inauguração pode incluir:

  • desmontagem;
  • remontagem;
  • transferência temporária de estoque;
  • contratação emergencial;
  • parada parcial;
  • perda de produtividade;
  • avarias;
  • atrasos na expedição;
  • impacto na experiência do cliente.
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Segurança não pode ser uma etapa posterior

A segurança precisa estar incorporada ao projeto desde o início.

A análise deve considerar:

  • capacidade estrutural;
  • estabilidade das estruturas;
  • proteção contra impactos;
  • circulação de empilhadeiras;
  • sinalização;
  • rotas de emergência;
  • proteção contra incêndio;
  • carregamento de baterias;
  • armazenamento por categoria;
  • ergonomia;
  • treinamento de operadores;
  • manutenção preventiva.

A aplicação de normas como NR-11 e NR-17 deve ser avaliada conforme as atividades executadas, os equipamentos utilizados e as características da instalação.

Também não foi confirmada, nas fontes recentes consultadas, a afirmação de que quatro incêndios em complexos de armazenagem no primeiro semestre de 2026 teriam provocado um endurecimento geral das exigências das seguradoras. Por isso, esse dado não deve ser utilizado como fato.

A formulação mais segura é que seguradoras, empreendimentos e órgãos competentes podem exigir medidas de prevenção, proteção e conformidade conforme o risco específico de cada operação.

A oportunidade para projetos de armazenagem sob medida

A expansão dos centros de distribuição cria uma demanda crescente por soluções que combinem estrutura e engenharia.

A Altamira pode atuar desde as fases iniciais do projeto, apoiando:

  • análise de capacidade;
  • definição do layout;
  • dimensionamento de porta-paletes;
  • aproveitamento do pé-direito;
  • especificação de mezaninos;
  • estruturas drive-in;
  • sistemas push-back;
  • flow-rack;
  • áreas de picking;
  • células de triagem;
  • expansão modular;
  • compatibilização com equipamentos;
  • avaliação de cargas;
  • adequação ao mix de produtos.

O objetivo não é fornecer uma estrutura isolada. É desenvolver uma solução compatível com o volume, o peso, a velocidade e a estratégia de crescimento do centro de distribuição.

A expansão dos centros de distribuição mostra que a infraestrutura logística se tornou parte da estratégia de crescimento de marketplaces, varejistas, operadores logísticos e indústrias.

Mas um galpão novo não é automaticamente um CD eficiente.

Para evitar gargalos, o projeto precisa considerar desde o início o perfil dos produtos, o fluxo de entrada e saída, o picking, a sazonalidade, os equipamentos, a segurança e os cenários de expansão.

Os movimentos recentes da Amazon e da Cubbo, somados aos planos anunciados por outros grandes operadores, indicam uma demanda estrutural por capacidade logística. Porém, a vantagem competitiva não estará apenas em construir mais metros quadrados.

Estará em transformar cada metro quadrado e cada metro cúbico em capacidade operacional real.

A Altamira pode apoiar empresas que desejam projetar ou expandir centros de distribuição com estruturas calculadas para a operação e não escolhidas apenas a partir de um catálogo.

Cada novo CD pode ser uma plataforma de crescimento ou um gargalo caro. A diferença começa na engenharia de armazenagem.

Sua empresa está projetando um novo centro de distribuição ou expandindo um galpão existente? Converse com a Altamira

 

Referências

Amazon abre primeiro centro de distribuição no PR de olho nas entregas no mesmo dia – Money Times

Cubbo inaugura centro de distribuição em Extrema e amplia operação no Brasil – Tecnologística

Projetando Um Novo Centro de Distribuição – Blog | IMAM

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