Caso Iveco: o que um CD de R$ 93 milhões ensina sobre verticalizar desde o projeto

Quando uma empresa decide construir um centro de distribuição do zero, ela tem uma janela de decisão que nunca mais vai se repetir com o mesmo custo: escolher a altura, a resistência do piso e o tipo de estrutura de armazenagem antes de a primeira laje ser lançada. O Iveco Group acaba de inaugurar em Pouso Alegre (MG) um centro de distribuição de peças com essas variáveis definidas desde a concepção, e o resultado ilustra bem por que essa decisão vale tanto dinheiro quando é tomada na hora certa.

O case do CD de peças da Iveco

O Iveco Group investiu R$ 93 milhões em seu primeiro centro de distribuição de peças exclusivo no Brasil, instalado em um condomínio logístico em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais. A unidade ocupa quase 20.000 m², conta com 17 docas e substitui a estrutura anterior da companhia, em Sorocaba (SP), que era compartilhada com outra multinacional. O novo centro aumentou em 40% a capacidade de armazenagem em relação à operação anterior e ainda foi projetado com potencial de expansão de 35%, movimentando cerca de 5,8 milhões de peças por ano das marcas Iveco, Iveco Bus e FPT.

O ganho não apareceu só na capacidade. O prazo de recebimento de peças caiu de seis para quatro dias, e o prazo de saída até o cliente passou de quatro para dois dias. Esse tipo de resultado, mais estoque na mesma área e operação mais rápida ao mesmo tempo, é exatamente o que um projeto bem dimensionado desde a concepção consegue entregar, e o que um retrofit tardio dificilmente alcança pelo mesmo custo.

O contexto: espaço logístico de alta qualidade está mais disputado

Vale contextualizar, sem transformar isso no argumento central, que esse tipo de decisão está sendo tomada em um mercado de galpões logísticos mais apertado. A vacância de condomínios de alto padrão em São Paulo, o principal polo do país, recuou a 5% no segundo trimestre de 2026, uma mínima histórica, segundo dados da JLL, e a vacância nacional ficou em torno de 5,5% no primeiro semestre. Isso significa que a alternativa de simplesmente alugar mais um galpão quando o espaço atual fica pequeno está cada vez mais restrita, cara ou distante das regiões estratégicas. O que reforça, na prática, a lógica de aproveitar melhor o metro quadrado já construído, em vez de depender de encontrar um novo.

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O vetor econômico da verticalização: piso versus volume aéreo

Todo centro de distribuição tem duas formas de crescer: ocupar mais área de piso ou ocupar melhor o volume aéreo disponível dentro do mesmo perímetro. A segunda opção costuma ser mais barata por posição-palete, mas só funciona se o projeto já tiver sido dimensionado para isso. Segundo o diretor executivo da ISMA, Flávio Piccinin, projetos bem dimensionados de verticalização podem ampliar em até 120% a capacidade de armazenagem na mesma área construída, dependendo do pé-direito disponível, da resistência do piso, do perfil da operação e do nível de seletividade exigido, chegando a reduzir em até 40% o custo por posição-palete em alguns casos.

O ponto central é que esse ganho depende de decisões que só custam pouco quando tomadas no projeto. Pé-direito elevado, por exemplo, aumenta diretamente o número de posições de paletes disponíveis na mesma área, reduzindo o custo por unidade de armazenamento, mas definir essa altura exige calcular com antecedência a resistência estrutural do piso e o tipo de equipamento de movimentação que vai operar naquela altura.

A tríade de dimensionamento: altura, piso e perfil de movimentação

Um projeto de verticalização bem-sucedido depende de equilibrar três variáveis ao mesmo tempo, e não apenas maximizar uma delas:

  • Altura livre: quanto mais alto o pé-direito, mais posições de armazenagem cabem na mesma área de piso, mas a estrutura de porta-paletes e os equipamentos de movimentação precisam ser compatíveis com essa altura desde o início.
  • Carga pontual do piso: um piso protendido dimensionado para receber estruturas porta-paletes de grande porte custa mais na fase de construção do que um piso convencional, mas reforçar um piso já pronto, com a operação em funcionamento, custa multiplicado e ainda exige paralisações.
  • Perfil de movimentação: operações com alto volume e baixo mix de SKUs, como estoques automotivos de peças de reposição, costumam pedir soluções de alta densidade, como drive-in, push-back ou pallet shuttle, enquanto operações com grande variedade de itens e alto nível de serviço exigem mais seletividade e acesso rápido a cada posição.
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Como alertou o próprio diretor da ISMA, verticalizar sem equilibrar essas três variáveis pode gerar o efeito contrário do esperado: mais capacidade no papel, mas menos produtividade real, se os corredores ficam congestionados ou os equipamentos não acompanham a nova altura.

O custo oculto do retrofit tardio

Reforçar a capacidade de um centro de distribuição depois que ele já está em operação raramente é só uma questão de comprar mais estruturas porta-paletes. Envolve avaliar se o piso existente suporta a nova carga pontual, se o pé-direito instalado permite a altura necessária, e, na maioria dos casos, interromper ou reduzir a operação durante a obra, algo que um centro em funcionamento raramente pode absorver sem custo. Esse é o motivo pelo qual a decisão de verticalizar, quando tomada só depois de o bloco estar pronto, custa multiplicado em relação à mesma decisão tomada na fase de projeto: o que seria uma escolha de engenharia na planta se torna uma intervenção estrutural em um ativo operando.

Particularidades de estoques críticos e itens de baixo giro

O caso da Iveco tem uma camada adicional que vale destacar: peças de reposição automotivas costumam incluir uma proporção relevante de itens de baixo giro, componentes que precisam estar disponíveis mesmo quando são vendidos com pouca frequência, porque a ausência de uma peça específica pode manter um veículo comercial parado. Isso muda o cálculo de dimensionamento: não basta otimizar para o giro médio do estoque, é preciso reservar densidade de armazenagem também para SKUs de movimentação rara, sem sacrificar a velocidade de separação dos itens de alto giro. Um projeto de verticalização que ignora essa distinção tende a comprimir justamente os itens críticos, que exigem acesso rápido mesmo sendo raros.

A engenharia consultiva da Altamira

Esse tipo de decisão, equilibrar altura, resistência de piso e tipologia de estrutura antes de a obra começar, é exatamente o campo da engenharia intralogística. Sistemas de armazenagem pesada, como porta-paletes convencionais, drive-in, cantilever, push-back e mezaninos industriais, precisam ser especificados em conformidade com normas como a ABNT NBR 17150, a NR-11 e a NR-17, e essa especificação técnica é mais barata e mais segura quando entra na modelagem matemática de capacidade e layout desde a concepção do centro de distribuição. É esse acompanhamento, desde a fase conceitual do projeto até a instalação das estruturas metálicas de armazenagem, que a Altamira oferece a desenvolvedores e operadores logísticos que estão avaliando construir um CD novo ou decidir se ampliam verticalmente um galpão já existente.

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Perguntas frequentes sobre verticalização de armazéns

O que é verticalização de armazéns?
É a estratégia de aumentar a capacidade de armazenagem aproveitando melhor a altura disponível de um centro de distribuição, em vez de ocupar mais área de piso.

Por que a verticalização deve ser decidida na fase de projeto?
Porque a altura do pé-direito, a resistência do piso e o tipo de estrutura de armazenagem precisam ser compatíveis entre si desde a concepção. Corrigir isso depois do galpão pronto exige reforço estrutural caro e, geralmente, interrupção da operação.

Quanto custa verticalizar um galpão depois de construído?
Não existe um valor único, mas o custo é sempre mais alto do que o mesmo dimensionamento feito na fase de projeto, porque envolve reforço de piso, adaptação estrutural e paralisação parcial da operação.

Como escolher entre CD próprio, alugado e 3PL?
Depende do horizonte de investimento da empresa, da disponibilidade de área na região estratégica e do quanto a operação pode se beneficiar de um projeto dimensionado sob medida, algo mais viável em CD próprio do que em galpão alugado padrão.

O centro de distribuição da Iveco em Pouso Alegre mostra o que um projeto bem dimensionado desde o início consegue entregar: mais capacidade de armazenagem, prazos operacionais mais curtos e espaço para crescer sem depender de encontrar um novo galpão em um mercado logístico cada vez mais disputado. A verticalização de armazéns não é uma correção a ser feita quando o espaço acaba. É uma decisão de engenharia que só é barata quando tomada antes de a primeira estrutura ser instalada.


Sua empresa está projetando um CD novo ou avaliando ampliar um galpão existente?

Converse com a Altamira sobre dimensionamento, verticalização e estruturas de armazenagem calculadas desde a fase de projeto, antes que a altura certa custe mais caro.

Fontes

  1. https://desenvolvimento.mg.gov.br/inicio/noticias/noticia/3117/iveco-investe-r$-93-milhoes-em-novo-centro-de-distribuicao-de-pecas-em-pouso-alegre
  2. https://www.tecnologistica.com.br/noticias/armazenagem/21889/iveco-group-inaugura-centro-de-distribuicao-de-pecas-em-pouso-alegre-com-investimento-de-r-93-milhoes
  3. https://diariodocomercio.com.br/negocios/iveco-group-centro-distribuicao-exclusivo-pouso-alegre/
  4. https://mundologistica.com.br/noticias/empresas-verticalizacao-centro-distribuicao-isma
  5. https://www.jll.com/en-us/insights/mercado-logistico-bate-novo-recorde-de-absorcao
  6. https://www.cushmanwakefield.com/pt-br/brazil/insights/logistics-storage-warehouse

 

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