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ToggleO picking é onde a verticalização se paga: como a estrutura do armazém determina produtividade, OSA e margem
Em muitos centros de distribuição, o picking ainda é tratado como uma etapa que pode ser compensada com mais pessoas, horas extras ou cobrança sobre a equipe. O problema é que a separação de pedidos está entre as atividades mais intensivas em custo e mão de obra do armazém.
Estudos sobre operações manuais apontam que o picking pode representar de 50% a 75% dos custos operacionais do armazém e aproximadamente 55% do tempo de trabalho.
Isso muda a discussão. Se o picking concentra uma parcela tão relevante do esforço operacional, a estrutura física que o sustenta não pode ser definida apenas pela quantidade de paletes que cabem no galpão.
Porta-paletes, corredores, endereçamento, posição dos itens de maior giro, áreas de reserva e fluxo de reposição determinam quanto o operador caminha, quanto espera e quantos pedidos consegue separar por hora.
Em outras palavras: a estrutura de armazenagem também é uma estrutura de produtividade.
O picking é a operação mais cara do armazém
A produtividade do armazém não depende apenas da velocidade individual do operador. Ela resulta da distância percorrida, da sequência das rotas, da disponibilidade do item na posição correta, da facilidade de acesso e da interferência entre reposição, empilhadeiras e separação.
Quando o layout do armazém é mal dimensionado, parte do turno é consumida em atividades que não agregam valor: procurar endereços, retornar a posições, contornar equipamentos, aguardar reposição ou percorrer corredores longos para coletar poucas unidades.
A otimização do picking começa justamente pela redução desses deslocamentos e pelo posicionamento dos produtos de maior demanda em locais mais acessíveis.
Melhorar a eficiência de picking, portanto, não é exigir que a equipe se mova mais rápido. É reduzir a distância, a variabilidade e as interrupções que a própria estrutura impõe.
O problema que o gerente de CD conhece, mas nem sempre consegue medir
Existe uma regra prática recorrente segundo a qual o armazém começa a perder fluidez quando se aproxima de 85% de ocupação.
Esse percentual não é uma norma universal: varia conforme o mix de SKUs, a sazonalidade, o sistema de armazenagem e a tecnologia utilizada. Ainda assim, funciona como um sinal de alerta. Quanto menor a disponibilidade de posições livres, mais difícil é realizar recebimento, put-away, reposição, remanejamentos e inventários sem criar exceções.
O efeito aparece no chão do CD. Paletes ocupam áreas temporárias, uma carga precisa ser movimentada para acessar outra e o endereçamento planejado começa a ser desrespeitado. A ocupação parece eficiente no relatório, mas a capacidade operacional já está comprometida.
Os erros também precisam ser medidos corretamente. A GTP Automation cita uma taxa média de erro de picking entre 1% e 3% e associa essas falhas a uma redução de 11% a 13% na lucratividade geral, considerando devoluções, retrabalho, custos adicionais e insatisfação do cliente.
O dado não representa uma queda equivalente na produtividade, mas mostra que um erro aparentemente pequeno pode gerar impacto financeiro desproporcional.
Como referência de desempenho, a Open Sky Group indica que operações fortes alcançam picking accuracy entre 99,5% e 99,9%. Para utilizar esse benchmark, porém, a empresa precisa definir se está medindo linhas separadas, pedidos completos ou conformidade final da entrega. Sem essa definição, o KPI pode esconder o nível real de falha.
A pergunta correta não é apenas “quem errou o picking?”. É: quanto do erro foi produzido por localização inadequada, reposição atrasada, sinalização deficiente, rotas ruins ou falta de seletividade?
A conexão invisível: estrutura → picking → OSA → margem
OSA, ou On-Shelf Availability, mede a disponibilidade real do produto para o consumidor na gôndola.
Dados divulgados pela Neogrid em 2026 indicam que categorias de alto giro podem operar próximas de 80% de OSA, o que representa aproximadamente 20% de indisponibilidade. Isso não significa automaticamente uma perda linear de 20% das vendas, mas cria risco real de demanda não convertida, troca de marca e migração para outro varejista.
A RELEX Solutions defende que o OSA deve ser tratado como uma métrica de diretoria porque conecta execução operacional, experiência do cliente, receita e margem. O indicador, porém, depende de toda a cadeia: previsão de demanda, disponibilidade do fornecedor, estoque correto, separação, expedição, transporte, recebimento e reposição na loja.
É nesse ponto que o CD aparece como causa potencial — e frequentemente subestimada — da ruptura.
Se o picking é lento, o pedido pode perder a janela de expedição. Se a posição de picking está vazia, o item disponível no estoque de reserva pode não entrar no pedido. Se o produto errado é separado, a loja recebe volume sem receber a referência necessária.
Quando os itens de alto giro estão espalhados, distantes ou em posições inadequadas, o tempo de ciclo aumenta justamente nos períodos em que a demanda acelera.
A ruptura nem sempre começa no CD. Mas um CD congestionado, impreciso e lento pode transformar estoque disponível em produto indisponível para venda.
Verticalizar não é empilhar mais é redesenhar o picking
A verticalização se paga operacionalmente quando o ganho de capacidade vem acompanhado de uma nova topologia de separação.
Adicionar níveis aumenta o número de posições de armazenagem, mas não melhora automaticamente o acesso, a reposição ou a velocidade de picking.
Um projeto eficiente precisa definir:
- quais SKUs devem permanecer nas posições mais acessíveis;
- onde ficará o estoque de reserva;
- como separar os fluxos de operadores e empilhadeiras;
- qual sistema oferece a combinação adequada entre densidade e seletividade.
A lógica é utilizar a altura para aliviar a pressão sobre o piso, organizar a reserva e concentrar o picking em posições de fácil acesso.
Assim, cada metro cúbico adicional contribui não apenas para a capacidade, mas também para um fluxo mais previsível.
Zonas de picking: alto giro no solo, reserva em cima
A curva ABC precisa aparecer fisicamente no layout.
Produtos de alto giro devem ocupar posições próximas às áreas de consolidação e expedição, com menor distância média por linha separada. Itens de giro intermediário podem ocupar zonas secundárias, enquanto produtos de baixa frequência e estoque de reserva utilizam posições superiores ou mais afastadas.
Em estantes de paletização, uma configuração comum mantém o picking nos níveis inferiores e o estoque de reserva nos níveis superiores.
A Mecalux recomenda essa lógica para produtos de alto consumo e sugere a utilização de duas posições de picking para referências com giro muito elevado, evitando que a separação pare durante o reabastecimento.
O ganho não vem apenas da altura. Vem da combinação entre altura, slotting, reposição e rota.
Flow rack vs. porta-palete convencional: quando usar cada um
O porta-palete convencional oferece acesso direto aos paletes e alta seletividade. É indicado para operações com diversidade de SKUs, movimentação frequente e necessidade de acessar referências individualmente.
A Altamira também trabalha com configurações como porta-paletes em dupla profundidade, sistemas para corredores estreitos, drive-in e estruturas com áreas de picking, permitindo combinar densidade e seletividade conforme a necessidade da operação.
O flow rack atende outra lógica. É indicado para caixas, itens fracionados e produtos de alta rotatividade, com abastecimento por um lado e retirada pelo outro.
O fluxo por gravidade favorece o FIFO e reduz a interferência entre reposição e separação. A Bertolini posiciona a solução para itens classe A da curva ABC e reporta redução de deslocamentos em comparação com estantes convencionais. Como todo resultado divulgado por fornecedor, o ganho precisa ser validado dentro das condições de cada projeto.
Não existe um sistema universalmente melhor. A escolha depende do número de SKUs, das dimensões das cargas, do giro, do lote, do perfil dos pedidos, da necessidade de FIFO ou LIFO, do equipamento de movimentação e da frequência de reposição.
O porta-palete como ferramenta de engenharia de picking
Um porta-palete não é apenas uma estante que sustenta carga.
Ele define seletividade, densidade, acesso, largura de corredor, equipamento necessário, sequência de reposição e localização do estoque de reserva. Portanto, influencia diretamente o tempo de ciclo e a produtividade do armazém.
No sistema convencional, o acesso individual favorece operações com mix elevado. Em dupla profundidade, ganha-se densidade, mas perde-se parte da seletividade. No drive-in, a densidade aumenta ainda mais, com aplicação adequada a grandes volumes de poucos SKUs. No flow rack, a própria estrutura ajuda a abastecer a frente de picking.
A engenharia está em combinar essas soluções dentro do mesmo CD.
Produtos de alto giro podem operar em flow rack ou em posições inferiores dedicadas. Paletes de reserva podem ocupar os níveis superiores. Itens de baixo giro podem utilizar zonas mais densas. Corredores de reposição podem ser separados das áreas de separação sempre que o fluxo permitir.
É essa combinação que transforma capacidade estática em capacidade operacional.
Estrutura e tecnologia precisam trabalhar juntas
Verticalização e WMS não são soluções concorrentes.
A estrutura organiza fisicamente a operação. O sistema define endereços, prioridades, sequências, reposições e rotas dentro das possibilidades criadas pelo layout.
A Mecalux informa que o Easy WMS pode alcançar até 60% de melhoria na produtividade operacional e até 99% de eliminação de erros. Esses percentuais são benefícios máximos divulgados para a solução de software e não devem ser atribuídos à verticalização isoladamente nem tratados como garantia para qualquer CD.
Mesmo em estruturas convencionais, ganhos relevantes podem vir da combinação entre slotting, endereçamento confiável, reposição disciplinada, rotas otimizadas e indicadores bem definidos.
Tecnologia acelera o fluxo. Porém, se o layout estiver errado, ela pode apenas digitalizar o desperdício.
A cadeia de valor: estrutura → picking → OSA → margem
Não existe uma relação universal de um para um entre melhoria no picking e aumento do OSA. Ainda assim, a cadeia de influência é clara:
Estrutura adequada melhora o acesso e reduz o congestionamento.
Melhor acesso reduz deslocamentos e espera por reposição.
Menor deslocamento reduz o tempo de ciclo e aumenta as linhas separadas por hora.
Mais precisão reduz retrabalho, devoluções e divergências de estoque.
Expedição mais confiável melhora o abastecimento da loja.
Maior disponibilidade protege vendas, experiência do cliente e margem.
Para comprovar o retorno do projeto, o gerente de CD deve comparar o antes e o depois por meio de indicadores como:
- ocupação das posições de armazenagem;
- tempo de reposição da posição de picking;
- distância ou tempo médio por linha separada;
- linhas e pedidos separados por hora;
- picking accuracy;
- ruptura interna na posição de picking;
- tempo de ciclo do pedido;
- pedidos expedidos dentro da janela;
- fill rate;
- OSA das lojas atendidas.
Essa medição separa promessa de resultado. A verticalização deixa de ser apenas um projeto de capacidade e passa a ser uma intervenção mensurável sobre a produtividade do armazém.
Você não precisa de mais galpão para separar mais pedidos
Quando o CD atinge capacidade crítica, a resposta mais intuitiva costuma ser buscar uma área maior.
Mas ampliar o galpão sem corrigir o layout pode apenas espalhar o mesmo problema por mais metros quadrados.
A Altamira desenvolve sistemas de armazenagem sob medida considerando tipo de carga, espaço disponível, layout e fluxo operacional. Seu portfólio inclui porta-paletes, drive-in, flow rack, sistemas para corredores estreitos, mezaninos e projetos híbridos, permitindo adequar a estrutura à curva de giro, ao perfil dos pedidos e à projeção de crescimento.
O objetivo não deve ser simplesmente armazenar mais.
Deve ser armazenar de forma que a separação aconteça com menos deslocamento, menos interferência, mais precisão e maior previsibilidade.
Você não precisa de mais galpão para separar mais pedidos. Precisa de mais altura — e de um projeto de picking que faça essa altura trabalhar a favor da operação.
Seu OSA começa no seu CD. Solicite um diagnóstico de layout de picking com a Altamira e identifique gargalos de estrutura que podem estar custando produtividade, nível de serviço e vendas na gôndola.
https://gtpautomation.com/a-solucao-para-os-erros-de-separacao-em-armazens/
https://openskygroup.com/warehouse-kpis/
https://www.relexsolutions.com/resources/on-shelf-availability/
https://www.mecalux.com.br/manual-de-armazenagem/picking/picking-sobre-paletes











